Segunda-feira, 28 de Março de 2011

I Encontro Fotográfico Transfronteiriço - Vilardevós - Galiza

 

 

 

Hoje vamos até Vilardevós, Berrande, Arzadegos e Vilarello da Cota.  Aldeias galegas da raia e vizinhas das aldeias portuguesas da corda que vai desde Vila Verde da Raia até Segirei.

 

 

Aldeias galegas e portuguesas da raia onde antigamente havia uma linha administrativa chamada fronteira que dividia dois países, uma linha que apenas existia nos livros oficiais das divisões administrativas mas que nunca existiu na realidade das aldeias e gentes da raia, onde com as mesmas gentes, o mesmo povo ou “pobo”,  a mesma língua, os mesmos problemas e alegrias, a mesma chuva e o mesmo sol,  se viviam todas as afinidades que nenhuma linha, por mais oficial que fosse, poderia separar.

 

 

Mas todas as histórias têm um inicio e a história desta visita a aldeias galegas nasceu há muitos anos atrás na amizade e negócios do contrabando, amizades que passaram de pais para filhos e chegam hoje até aos netos que continuam a granjear a mesma amizade, agora já sem a necessidade do contrabando e dos seus caminhos que hoje apenas servem para recordar histórias enquanto as suas rotas se percorrem a pé, sem o peso dos fardos ou o medo que os guardadores de fronteiras poderiam representar.

 

 

Pois a ideia desta viagem por estes “pobos” galegos nasceu de duas netas de contrabandistas, hoje, uma pertencente a uma ONG – o Centro de Desenvolvimento Rural Portas Abertas, com sede em Vilardevós e outra pertencente à Lumbudus – Associação de Fotografia e Gravura com sede em Chaves mas que também é a responsável pelo blog e página de Segirei. E da ideia à sua concretização foi um passo, e ontem, os Lumbudus agarraram na trouxa e todo o arsenal fotográfico e abalaram até estas aldeias galegas, nem a chuva os ameaçou ou impediu que, durante todo o dia e mesmo noite, fizessem os seus registos. A esta viagem também se juntaram alguns associados da Portografia – Associação de Fotografia do Porto e da TAMAGANI que chegados a Vilardevós, com os amigos galegos que nos esperavam, se fez o grupo final que percorreria as terras e os trilhos do contrabando das aldeias galegas.

 

 

Em Vilardevós, logo pela manhã, a recepção no Centro de Desenvolvimento Rural Portas Abertas, pelo Alcaide de Vilardevós José Luis “Celis”, o Presidente do CDR Portas Abertas Pepe Paz Paz, mas também pelos nossos amigos e elo de ligação Pablo Serrano e Carmen Serrano (pai e filha, esta, a tal neta amiga da neta de Segirei), mas também o cura (padre) Digno Gonzalez que pôs toda a sua sabedoria e disponibilidade para nos servir de cicerone, sem o qual nunca teríamos atingido um conhecimento sério e tão profundo desta visita. Algum espanto na aldeia impunha-se por tanta objectiva onde nem a da TV galega faltavam, mais que suficientes para fazer o registo neste que também era o Centro de Interpretación do Contrabando onde em vídeo e em exposição nos foram apresentadas a região e o contrabando de antanho.

 

 

 

Fotos de Dinis Ponteira

 

Uma volta pelas ruas de Vilardevós, o cruzeiro bem galego a Rua do Inferno onde batemos à porta do Diabo mas o bilhete da porta “Agora Venho” não deixava dúvidas da sua ausência e tempo ainda para um café e uma aguardente de ervas também bem galega abriam o apetite para o resto das visitas.

 

 

Estando por ali e embora a visita não estivesse no programa, o trilho do contrabando que passa pelas cascatas de Soutochao e levavam até Segirei ou vice-versa, era obrigatória, principalmente o espectáculo da água na sua queda em cascata. Já não era novidade para nós mas continua-se a fazer a visita com superior agrado e continuará, pois por lá não faltam delícias que qualquer objectiva anseia registar.

 

 

Em Berrande, uma visita a imponente igreja com subida à torre sineira abria o apetite para o almoço servido no Mesón Castaño onde as entradas com a tradicional tortilha, empadas galegas, variedades de chouriço e “jamon” eram iguarias que fariam a refeição de qualquer desprevenido que não soubesse da tradição das entradas galegas.

 

Foto de Dinis Ponteira

 

Chuva intensa poderia desmotivar a tarde, mas apenas atrapalhou o manejo das câmaras fotográficas que ficou desculpada pelo brilho que a chuva dá às fotos. Era hora de subir à Nossa Senhora das Portas Abertas onde pelo “cura” ficamos a saber o estranho fenómeno que por lá se regista todos os anos quando de verão, milhões de formigas com asas vem morrer à porta da igreja.

 

 

De seguida a visita às “bodegas” de Arzadegos que se plantam ao longo da encosta da montanha servido esta como uma das paredes das “bodegas”. Curiosidade de nota desta “pobo” e destas “bodegas” onde estagiam bons vinhos – em Arzádegos não há vinhas e todo o vinho que por aqui entra em cura e estágio vem das boas terras do vinho, incluindo as das terras do nosso Douro.

 

 

Para terminar o dia em grande, uma entrada triunfal na noite, nas instalações do Albergue Rural em Vilarello de Cota, com música tradicional galega oferecida pelo grupo “Candaira” e um lanche ajantarado oferecido pelo Albergue. Um remate de um dia do qual todos saímos enriquecidos e com vontade de um dia repetir.

 


Quanto às imagens, foram as possíveis num dia de chuva e quanto aos agradecimentos, vão para muita gente que esteve envolvida para que este sucesso de convívio transfronteiriço acontecesse, começando pelas duas netas Tânia Oliveira e Carmen Serrano, o Pablo Serrano, o Ayuntamento de Vilardevós e o seu Alcaide José Luís, o CDR Portas Abertas, o seu Presidente Pepe Paz Paz e seus colaboradores, ao “Cura” Digno Gonzales, ao Grupo “Candaira” e o grupo que preparou o lanche, o Albergue Rural de Vilarello de Cota, a Associação Lumbudus, os seus associados aos quais os Lumbudus barrosões também se juntaram, mas também a Portografia e a Tamagani e por último o apoio da Câmara Municipal de Chaves que cedeu o transporte para a Associação Lumbudus.

 

 


 


 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 02:40
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