Sábado, 16 de Julho de 2011

Ainda o XV Encontro de Blogues e Fotógafos Lumbudus

Artigo publicado no Semanário a Voz de Chaves na edição de 15.Jul.2011, assinado pela Jornalista Sandra Pereira (as fotos são de sua autoria).



Encantos paisagísticos, instantes fotográficos, pausas literárias e muito convívio no XV Encontro Lumbudus.

 

A associação Lumbudus realizou o XV Encontro de Blogues e Fotógrafos, que desta vez percorreu os trilhos das aldeias de Soutelinho da Raia, Calvão e Castelões com a missão de transportar o convívio da internet para o mundo real. Foram ainda apresentados cinco livros de autores flavienses e da região que falam de nós, transmontanos.

 

 

 

Provocar o disparo de uma máquina fotográfica motivado pelo deslumbramento de um encanto mais bem guardado do património e paisagens transmontanos é a base de qualquer Encontro de Blogues e Fotógrafos Lumbudus. No passado sábado 9 de Julho, o 15º reuniu cerca de 35 fotógrafos, blogueiros, escritores e amantes da natureza, convívio e boa mesa regional, onde não faltou vinho de Valpaços, pastéis de Chaves, bola de carne e caldo verde.

 

O dia começou pela manhã com uma romagem em direcção ao Santuário de São Caetano, seguindo depois o grupo para a aldeia de Soutelinho da Raia. Após uma paragem em Calvão e antes do aconchego dos estômagos no Santuário da Nossa Sr.ª das Necessidades, em Castelões, ainda houve tempo para apreciar (e fotografar) o rico, tradicional e secular património da aldeia: a Igreja, o forno comunitário e o cruzeiro. Com o verde da flora do santuário e o amarelo sol a raiar como pano de fundo, a tarde foi dedicada à cultura com a apresentação de cinco obras de escritores com uma característica comum: os devaneios sobre a região e modos de ser e falar transmontanos.

 

Armando Sena, autor do Blog Pedome (aldeia do concelho de Valpaços) apresentou “Na Demanda do Ideal”, um romance inspirado em factos reais que retrata o “salto” da imigração ilegal para França nos anos 60. “Conta os contratempos e a fome que havia nestes tempos”, especificou o autor do livro, que reúne termos típicos e trasmontanismos “para não serem esquecidos”. Depois, Carlos Silva apresentou “Munditações”, uma obra que junta as suas fotografias (que vão voltar a ser expostas na Adega Faustino) com textos e poemas de vários autores, escritos em oito línguas ainda hoje faladas na Península Ibérica.

 

 

 

“Zerbadas em Chaves”, de Gil Santos, foi o livro que se seguiu. Entre as várias definições usadas para descrever a obra, destaque para “uma espécie de esgotos das nossas misérias” ditas com “dizeres nunca ouvidos em lado nenhum”, alguns incluídos no glossário final com 430 termos. “Zerbadas” – que significa uma carga de água que refresca em tardes de muito calor – tem personagens, caricaturas e um sotaque transmontano, sendo por isso “um grito contra o isolamento do Interior”. “É um conjunto de estórias para fazer os transmontanos felizes e para ler ao serão, junto à lareira e em voz alta”, rematou Gil Santos.

 

Já João Madureira apresentou “Crónica Triste de Névoa”, um livro que fala dos flavienses do século passado, misturando tristeza, pobreza (e a nobreza dos sentimentos que ela encerra), fé, religião e vida. “Falar de Chaves é quase falar sobre o universo. Ao falar da minha terra, consegui fazer ficção científica!”, rematou o autor associado da Lumbudus. Por último, Luís Fernandes falou do seu conto “Missa de 7º Dia”, uma história de amor flaviense com esperas apaixonadas no Largo do Arrabalde e na esquina da Pensão Rito.

 

Usar os blogues para sair do anonimato

 

 

 

A história da Lumbudus começou na internet, ligando, através dos blogues, fotógrafos e amantes da escrita dos concelhos do Alto Tâmega e Galiza. Não demorou muito a marcarem-se encontros nos restaurantes de Chaves, mas há três anos o convívio tornou-se nómada com uma primeira incursão à aldeia de Segirei, recorda Fernando Ribeiro, presidente da direcção da Lumbudus, que conta já com cerca de 60 membros. “Vivemos muito no mundo virtual da internet, onde costumamos encontrar-nos todos os dias, mas só nestes eventos é que temos a possibilidade de estarmos todos juntos e transportar para a realidade o convívio que temos na internet”, explica.

 

Hoje, o Blog Chaves, da autoria de Fernando Ribeiro, conta com sete cronistas/ensaístas/contistas/escritores colaboradores, quatro já com obras editadas. Remando contra o “lobby da literatura” apoiado pela comunicação social, com os blogues “temos uma boa oportunidade para que os nossos autores saiam do anonimato”, considera Fernando Ribeiro, que acredita que a maior parte das pessoas da região não se interessa pela literatura local porque a desconhece e não tem meios de a descobrir. Uma realidade que é agora transfigurada pela blogosfera. “Os blogues têm uma grande importância na divulgação do mundo local. (…) Ainda há muita gente por descobrir e são uma boa maneira de mostrar aquilo que escrevem” e as fotografias que capturam, remata o blogueiro e fotógrafo da Lumbudus.

 

 

A findar o XV Encontro Lumbudus, foram atribuídos os prémios e troféus do concurso fotográfico, com o tema “Património Rural”, realizado no último encontro, que decorreu no concelho de Valpaços. O próximo será em Vilarelho da Raia e o do Verão 2012 vai rumar aos territórios dos “nuestros hermanos” galegos.

Sandra Pereira

 

À procura de uma sede


Com pouco mais de um ano de vida, a Associação de Fotografia e Gravura Lumbudus tem conseguido atrair novos membros todos os meses e garantir dois espaços para exposições regulares: um no pólo de Chaves da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) e outro no Arquivo Municipal, onde têm mostras agendadas a partir de Setembro até final do ano. Contudo, “ambos os espaços são pequenos e dão para expor 20/30 fotografias. Quando as exposições são maiores e o nome associado também, vamos para a Biblioteca Municipal”, refere Fernando Ribeiro, presidente da direcção, que lamenta que a associação não tenha uma sede. “Estamos limitados, mas somos uma associação jovem e com o tempo esperamos arranjar um espaço nosso, onde possamos ter as nossas coisas, não só exposições, mas venda de fotografias”, conclui. O próximo passo é harmonizar o nível dos fotógrafos associados, de modo a programar futuras formações na arte da fotografia com profissionais reconhecidos a nível nacional ou até internacional.

S. P.

 


 

Só para fazer justiça, pois o agradecimento já foi feito no post anterior, o vinho do encontro era da Quinta de Arcossó e não de Valpaços, como é referido no artigo.

 

(F.R.)

 

publicado por Fer.Ribeiro às 01:00
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