Domingo, 10 de Julho de 2011

XV Encontro de Blogues e Fotógafos Lumbudus

 

Com programa simples mas intenso, realizou-se o XV Encontro de Blogues e Fotógrafos Lumbudus.

 

Tal como programado às 9 da manhã a romagem foi em direcção ao S.Caetano onde se fotografou com todas e por todas as intenções. Todas boas e a visita ao Santo fez com que a chuvinha que parecia ameaçar os cliques fotográficos desse lugar ao sol e um pouco de calor. S.Caetano com dotes de S.Pedro que os presentes agradeceram.

 

 

Já em Soutelinho da Raia a romaria distribui-se pelas ruas de uma aldeia sempre interessante de visitar. Houve quem quisesse confirmar se os marcos da “fronteira” estavam no sítio, quem tomasse o primeiro café do dia, quem provasse o líquido de Baco da colheita do ano acompanhado da linguiça que sempre está por perto da pipa, quem desse dois dedos de conversa, quem recordasse os tempos de escola e catequese por entre o casario abandonado e não faltou o trio do cavalo cego de um olho sempre acompanhado pelo amigo cão e o dono que faz sempre questão de fazer a delícia dos fotógrafos. Claro que à nossa boa maneira os 15 minutos de visita duraram mais de uma hora, mas ninguém reclamou, aliás com os ares lá do alto do planalto do Larouco depressa se esquecem os relógios pois o que interessa é cumprir com a visita, e foi cu(o)mprida com direito a digestivo para o almoço de que alguns já falavam.

 

 

Mas programa é programa e não se dispensou um olhar ao Larouco, mesmo não se mostrando em toda a sua imponência e plenitude, pois a neblina dos cumes teimou em mostrar-se residente deixando escondidos os segredos mais altos como se um Deus ainda se tratasse.

 

 

Cumprido o olhar desceu-se a encosta em direcção a Calvão onde o tempo fica sempre curto para se poderem registar todos os olhares de uma aldeia que tem os seus abandonos, é certo, mas que ainda mantém a sua integridade do casario, pois quanto a gente nas ruas, já se começa a não estranhar a sua ausência, mas mesmo assim, ainda aparecem os rostos da resistência que alguns fotógrafos tanto gostam de captar.

 

 

Castelões fica ali ao lado e foi para lá que se continuou. Em Castelões há sempre gente com muitos rostos da resistência que se repetem em todas as aldeias de montanha mas que fazem sempre questão de se mostrarem e nos mostrarem o seu património. A Igreja, o secular forno comunitário, o curioso cruzeiro (pintado) não menos secular, faziam a delícia de uma aldeia que é grande - diziam alguns que pela primeira vez a visitavam. Uma aldeia grande que graças a alguns estômagos de exigência mais necessitadas e meios engaranhados nos faziam lembrar que lá dos lados da N.Srª das Necessidades ou do Engaranho desciam aromas convidativos interrompendo e deixando a visita a toda a grande aldeia para uma próxima oportunidade.

 

 

Claro que era no Santuário da N.Srª das Necessidades que estava previsto satisfazer as necessidades do estômago, por isso alguma pressa de alguns que foi aceite pela menos pressa dos restantes, mas tal como diz o servidor do restaurante onde costumo ir, só há pressa enquanto a comida não está na mesa, depois, depressa se esquece a pressa e, ainda bem (digo eu) pois é sinal que a mesa é boa, e a nossa não desagradou.

 

 

 

 

 

Para o período da tarde estava programado o momento cultural de apresentação de 4 livros que acabaram por ser cinco. Como dizia um dos autores, uma maneira diferente de todos escreverem sobre o mesmo, ou seja, sobre nós, sobre a nossa região e ser transmontano, sobre a nossa interioridade.

 

Armando Sena, autor do Blog Pedome (Concelho de Valpaços) apresentou o romance “Na Demanda do Ideal”. Um romance baseado em factos reais, polvilhados com eventos ficcionados tendo como base o “salto” da imigração ilegal dos anos 60.

 

 

Gil Santos apresentou de seguida as “Zerbadas em Chaves” e desde logo lembrou uma das suas estórias, a do “retrato rasgado” onde a mesma emigração ilegal era focada, no meio de tantas estórias que fazem também a história de Chaves. São as estórias de Gil Santos já bem conhecidas da blogosfera flaviense e que tem o dom de encantar quem as le. Pena que a apresentação do seu livro em Castelões não tivesse contado com o discurso de José Machado pois ele faria lembrar a todos os presentes que as estórias e o glossário nelas utilizadas são a nossa identidade, somos nós, tal como as Zerbadas das quais todos nós lhe conhecemos o aroma e que é tão nossa tal com a nossa névoa.

 

 

E Foi com a “Crónica Triste de Névoa” que se seguiu, como quem diz “Crónica Triste de Chaves” porque a cidade da névoa e a névoa, é a mesmíssima que corre no sangue de todos os flavienses. Um livro que foi reapresentado dado o sequestro a que esteve sujeito e que aparece de novo entre nós oito anos depois ter conhecido a luz. É também um livro flaviense que fala dos flavienses do século passado, quase do mesmo tempo, ou mesmo do mesmo tempo, em que aconteceram as estórias do Gil Santos e os "pulos" da “Demanda do Ideal” de Armando Sena.

 

 

Antes da “Crónica Triste de Névoa” o Carlos Silva tinha apresentado o seu “Munditações” com textos peninsulares, pois nele aparecem textos e poemas escritos em todas as línguas ainda hoje faladas na península ibérica. Uma colectânea de textos e poemas de vários autores ilustrados com fotografias de autoria de Carlos Silva. Um livro para ler e ver onde a cidade de Chaves também está presente.

 

 

À margem do programa apareceu a “Missa de 7º Dia” de Luís Fernandes, uma estória de amor flaviense que curiosamente também passa por Pedome embora viva quase toda a sua acção entre a Igreja Grande e a Madalena, com muitas esperas apaixonadas no Largo do Arrabalde e na esquina da Pensão Rito.

 

De uma assentada só apresentaram-se 5 livros de outros tantos autores flavienses e da região onde todos eles falam de nós. Pena estarmos tão distantes de Lisboa e dos lóbis da literatura, tão longe da imprensa mediática e etc. Uma palavrinha para o semanário “A Voz de Chaves” que nos brindou com a sua presença e com a simpatia da sua jornalista Sandra Pereira.

 

 

E já que entramos em maré de agradecimentos não podemos esquecer a contribuição para este encontro convívio daqueles que nos brindaram com os seus saberes e sabores, começando pela Quinta de Arcossó que cuidou das nossas necessidades de um bom vinho das afamadas terras de Arcossó e que já se encontra entre os melhores vinhos nacionais, passando para o indispensável pastel de Chaves que faz sempre uma boa mesa flaviense e que os “Prazeres na Loja” no Largo do Anjo fazem que estes encontros de blogers e fotógrafos não possam passar sem eles, à Padaria do Zé, à sua bola de Carne e pão centeio que tantos flavienses tem habituados com a sua mestria, à Comissão da N. Senhora das Necessidades que nos disponibilizou o espaço e o serviço para satisfazer as nossas necessidades gastronómicas, com uma palavra de apreço ao Júlio Cabeleira, elemento da Junta de Freguesia que desde logo se disponibilizou para que este encontro fosse possível, ao Blog de Castelões que fez parte da organização deste encontro, à Câmara Municipal de Chaves que possibilitou que todo o grupo andasse junto com a disponibilização de transporte mas também dos prémios para o concurso de fotografia que decorreu durante o encontro e, aos nossos amigos galegos que já fazem destes encontros também os seus encontros.

 

 

E fica assim aqui a “fotografia de família” e um pouco do que foi o XV Encontro de Blogues e Fotógrafos Lumbudus, o encontro de verão pois ainda este ano irá acontecer o encontro de Inverno, o XVI que já está agendado para a freguesia de Vilarelho da Raia, contando já que o próximo encontro de Verão (2012) irá acontecer na vizinha Galiza em local ainda a determinar mas que os nossos amigos Galegos sabiamente saberão escolher.

 

 

F.R.

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 23:30
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